
A rotina de quem depende do transporte adaptado para se deslocar por Teresina tem sido marcada por espera, incerteza e compromissos perdidos, segundo relatos de usuários do sistema. Nesta segunda-feira (21), integrantes da Associação dos Cadeirantes de Teresina (ASCAMTE) foram até a frente do Palácio da Cidade, sede da Prefeitura, para protestar contra o que classificam como uma série de falhas na prestação do serviço.
A manifestação ocorre no Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência e teve como principal reivindicação a melhoria do chamado transporte eficiente, destinado ao deslocamento de pessoas com deficiência que necessitam de veículos adaptados.
Entre as queixas apresentadas pelos manifestantes estão atrasos, dificuldades para conseguir atendimento, problemas no cumprimento dos horários e falhas na organização das rotas. Para os usuários, as deficiências do sistema ultrapassam o transtorno cotidiano e acabam interferindo diretamente no acesso ao trabalho, à educação, à saúde e ao lazer.
A integrante da ASCAMTE, Amparo Sousa, afirma que os usuários esperavam uma melhora no atendimento depois que a Prefeitura promoveu mudanças na operação do serviço. Segundo ela, porém, a expectativa não se confirmou.
“Nós queremos um transporte que atenda, um transporte de qualidade, coisa que nós não estamos tendo. A Prefeitura de Teresina tomou a decisão de tirar uma empresa que estava prestando o serviço e colocar outra, alegando que haveria melhora. Mas o que aconteceu foi justamente o contrário: o serviço piorou”, declarou.
Compromissos perdidos
Para quem utiliza o transporte adaptado diariamente, uma falha no atendimento pode representar muito mais do que alguns minutos de espera. Atrasos ou ausência de veículos podem significar consultas médicas perdidas, dificuldades para chegar ao trabalho ou impossibilidade de participar de atividades sociais.
É o que relata Dalvina dos Santos, também integrante da mobilização. Cadeirante e usuária do serviço, ela afirma que os problemas de funcionamento têm provocado situações recorrentes de constrangimento e prejuízo.
“A situação dos cadeirantes hoje em Teresina é muito triste e muito sofrida. Eu chamo isso de humilhação, porque as pessoas estão perdendo consultas, perdendo horário de trabalho e deixando de participar de atividades de lazer porque o transporte não funciona como deveria”, relatou.
Segundo Dalvina, um dos principais problemas está na falta de regularidade entre os deslocamentos de ida e volta. Ela afirma que há situações em que o usuário consegue transporte para chegar ao destino, mas encontra dificuldades para retornar.
“Tem carro para ir e não tem para voltar. Às vezes acontece o contrário. Os horários não estão batendo e não existe uma organização eficiente das rotas”, afirmou.
A usuária também diz que já buscou diálogo com responsáveis pela supervisão do serviço e chegou a sugerir encontros com representantes das entidades e dos próprios usuários. Para ela, a participação de quem utiliza o transporte diariamente poderia contribuir para identificar os principais problemas e buscar soluções.
Usuários querem participar das decisões
Além da melhoria imediata do atendimento, a ASCAMTE defende que as pessoas com deficiência sejam ouvidas nas discussões relacionadas ao transporte adaptado. A reivindicação envolve não apenas a regularização dos horários e das rotas, mas também maior transparência sobre as mudanças realizadas no sistema.
Os manifestantes querem que entidades representativas e usuários tenham espaço para apresentar reclamações, sugestões e experiências concretas sobre o funcionamento do serviço.
Para Amparo Sousa, a escolha da data do protesto reforça a importância da mobilização.
“É um absurdo a Prefeitura de Teresina fechar as portas para as pessoas com deficiência justamente numa data tão importante. Os nossos direitos não podem ser violados nem hoje, nem nunca, e nós não vamos nos calar diante dessa situação”, afirmou.
A manifestação coloca novamente em discussão um aspecto básico da mobilidade urbana: a possibilidade de pessoas com deficiência se deslocarem pela cidade com autonomia e previsibilidade.
Enquanto os usuários cobram respostas e mudanças no atendimento, a expectativa é de que o poder público dialogue com as entidades para identificar as falhas apontadas e discutir alternativas para reorganizar o serviço.
Até o fechamento desta matéria, a Prefeitura de Teresina e a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) não haviam apresentado posicionamento sobre as reivindicações feitas durante o protesto.
NOTA – STRANS
“A STRANS informa que o sistema de transporte público de Teresina passa por um processo de reformulação, e o Transporte Eficiente também está incluído.
Estão previstas a aquisição de seis novas vans para o serviço e de 100 novos ônibus, todos com itens de acessibilidade, como rampas.
Atualmente, o Transporte Eficiente atende mais de 400 usuários, crescimento impulsionado também por uma demanda que estava reprimida.
A nova empresa responsável pelo serviço está adaptando as rotas, treinando motoristas e realizando ajustes para melhorar gradualmente o atendimento à população.”







