
A delegada Vilma Alves morreu aos 79 anos, em Teresina, deixando uma trajetória marcada pelo pioneirismo, pela defesa das mulheres e pelo enfrentamento à violência de gênero no Piauí. A morte foi comunicada por familiares nas redes sociais.
Vilma estava internada na UTI de um hospital particular da capital após sofrer um infarto. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o velório e o sepultamento.
Ao longo de quase cinco décadas dedicadas à segurança pública, sendo 36 anos como delegada, Vilma Alves construiu uma carreira que ultrapassou os limites da Polícia Civil. Ela se tornou referência na defesa dos direitos das mulheres e no combate à violência doméstica, à violência de gênero e ao feminicídio.
Sua história também foi marcada por importantes pioneirismos. Vilma foi a primeira mulher a comandar a Delegacia da Mulher no Piauí e a primeira delegada negra do estado. Ao ocupar espaços que, durante décadas, foram predominantemente masculinos, abriu caminho para outras mulheres e ampliou a presença de mulheres negras na segurança pública.
A atuação da delegada ganhou projeção justamente em um período de transformação na forma como a violência contra as mulheres era enfrentada pelas instituições. Vilma ajudou a colocar o tema no centro do debate público e defendeu, ao longo de sua carreira, o fortalecimento da rede de proteção às vítimas.
Fora da atividade policial, também manteve proximidade com movimentos sociais e iniciativas culturais do Piauí. Sua atuação se estendeu à defesa de direitos, à valorização da cultura e à participação comunitária.
A história de Vilma Alves fica, assim, associada não apenas à segurança pública, mas à conquista de espaço pelas mulheres e, especialmente, pelas mulheres negras. Seu legado permanece na luta por uma sociedade mais segura, justa e menos tolerante à violência contra as mulheres.
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