
O que deveria ser caminho de trabalho virou uma barreira. Em vários pontos do Rio Poti, em Teresina, os aguapés se espalharam pela superfície da água e passaram a dificultar a navegação de pescadores que precisam do rio todos os dias para garantir o sustento de suas famílias.
Em vez de esperar uma solução, os próprios pescadores decidiram agir. No sábado (29), eles entraram no rio e participaram de um mutirão para retirar a vegetação que bloqueava trechos utilizados para a pesca, principalmente na região do Poty Velho, na zona Norte da capital.
A mobilização foi realizada pelo Desafio Teresina Entre Rios em parceria com os Guardiões do Rio Poty, coletivo que reúne pescadores ribeirinhos da região. Com barcos e ferramentas, os trabalhadores abriram passagem entre os aguapés e tentaram devolver ao rio condições mínimas para a circulação das embarcações.
Mais do que limpar um trecho do Poti, a iniciativa expôs uma dificuldade que já faz parte da rotina de quem vive da pesca. Quando os aguapés avançam, os barcos encontram mais resistência para navegar, áreas de pesca ficam menos acessíveis e o trabalho dos pescadores se torna ainda mais difícil.
A ação também reforçou um alerta ambiental: o avanço recorrente da vegetação aquática não é apenas um problema para quem navega pelo rio. Para as comunidades ribeirinhas, a presença excessiva dos aguapés interfere diretamente em uma atividade que representa renda, trabalho e sobrevivência.
Ao colocar a mão na massa, os pescadores transformaram a própria dificuldade em mobilização. A retirada dos aguapés foi, ao mesmo tempo, uma forma de abrir caminho para o trabalho e de chamar atenção para a necessidade de cuidar do Rio Poti antes que novos trechos sejam novamente tomados pela vegetação.
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