
Em maio de 2003, um episódio registrado no bairro da Palestina, em Salvador (BA), ganhou repercussão nacional ao evidenciar o embate entre o cumprimento de uma ordem judicial e a dimensão humana envolvida em ações de despejo.
Amilton dos Santos, operador de máquinas de 53 anos, foi designado para executar a demolição de duas casas erguidas em área considerada irregular pela Justiça. Entre os moradores estava a merendeira Telma Sueli, que vivia no local com os filhos e outros familiares.
Ao chegar com o trator para cumprir a determinação, Amilton se deparou com famílias em desespero, incluindo crianças que estavam prestes a perder o único imóvel onde moravam. Diante da cena, ele desligou a máquina e se recusou a continuar o serviço. Mesmo sob pressão de autoridades e de integrantes da equipe responsável pela operação, manteve a decisão, alegando não ter condições de executar a ordem ao presenciar o impacto direto da medida sobre as famílias.
A recusa foi enquadrada como desobediência. O oficial de Justiça presente deu voz de prisão ao operador, o que provocou reação imediata dos moradores da região, que se manifestaram com aplausos e palavras de apoio.
Durante a confusão, Amilton passou mal, em razão de uma crise de pressão alta, e precisou ser encaminhado a uma unidade hospitalar, o que impediu sua condução imediata a uma cela.
O caso abriu debate nacional sobre direito à moradia, os limites da atuação do Estado em áreas irregulares e o papel da consciência individual diante de decisões judiciais. A atitude de Amilton dos Santos passou a ser lembrada como um gesto que colocou em evidência a tensão entre legalidade e sensibilidade social em contextos de vulnerabilidade.
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